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Implante cerebral de inteligência artificial restaura movimentos em paciente paralisado

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Tecnologia promissora recupera capacidades motoras e sensações de toque após anos de limitações

Em um artigo no TNW News, Ana Maria Constantin conta como um implante cerebral de inteligência artificial, conhecido como “duplo desvio neural”, conseguiu restaurar o movimento e a sensação de toque em um homem que estava completamente paralisado.

A pesquisa, publicada na revista Nature Medicine, revela que os avanços obtidos duraram por anos, indicando uma reconfiguração significativa do sistema nervoso.

O participante do estudo, Keith Thomas, sofreu uma lesão na coluna cervical em um acidente de mergulho em 2020, resultando em tetraplegia completa. Ele se juntou ao ensaio clínico 13 meses após o acidente.

Durante o treinamento, Thomas conseguiu realizar atividades como se alimentar e beber com suas próprias mãos. Ao longo de 35 semanas, a força de seu braço direito aumentou em 86% e a do esquerdo em 62%. Ele também recuperou a capacidade de coçar o nariz e limpar a boca sem assistência.

A tecnologia do “duplo desvio neural”, desenvolvida pelos Institutos Feinstein para Pesquisa Médica, combina uma interface cérebro-computador, inteligência artificial e estimulação elétrica da medula espinhal e do cérebro.

Um método adicional, chamado de espelhamento cortical, foi utilizado para restaurar a sensação de toque. Após cerca de 25 semanas, Thomas recuperou a sensação em um pulso que estava adormecido desde sua lesão.

Os resultados são promissores, pois muitos dos ganhos permaneceram mesmo após a interrupção da estimulação. Em um acompanhamento recente, os benefícios ainda estavam presentes mais de dois anos depois do tratamento.

Chad Bouton, autor correspondente do estudo, destacou a importância dessa descoberta, afirmando que a equipe não apenas está contornando a lesão, mas realmente reconfigurando o sistema nervoso.

Thomas compartilhou sua experiência, dizendo: “Ser capaz de sentir a mão da minha irmã, acariciar meu cachorro e sentir sua pelagem, essas experiências que a lesão me tirou foram restauradas.”

O procedimento envolveu a implantação de cinco matrizes de microeletrodos no cérebro de Thomas durante uma cirurgia de 15 horas.

A inteligência artificial decodifica suas intenções de movimento e estimula os músculos do antebraço para mover sua própria mão. Sensores em uma órtese impressa em 3D ativam a estimulação do córtex sensorial, criando a sensação de toque.

O decodificador apresentou uma precisão de até 84,6% ao longo de cinco meses, permitindo que Thomas levantasse cascas de ovo vazias sem quebrá-las 87% das vezes, mesmo enquanto conversava.

Esse avanço se insere em um campo em rápida evolução de interfaces cérebro-computador. Outras pesquisas estão explorando implantes para restaurar a fala, enquanto abordagens não invasivas também estão sendo desenvolvidas.

Atualmente, cerca de 15 milhões de pessoas vivem com lesões na medula espinhal em todo o mundo, e a maioria das pessoas com tetraplegia considera a função das mãos como sua prioridade.

A equipe de pesquisa planeja realizar testes em maior escala e está avaliando o sistema para outras condições, incluindo acidente vascular cerebral.

R7

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