Avalanche de reclamações expôs falhas nos sistemas de autorização e fiscalização, tanto do estado quanto das instituições financeiras envolvidas.
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CUIABÁ (MT) – A pressão aumentou sobre o Palácio Paiaguás após uma série de denúncias que expôs possíveis fraudes na concessão de empréstimos consignados a servidores públicos em Mato Grosso. O escândalo estourou nesta semana, com parlamentares da Assembleia Legislativa relatando reclamações em massa de servidores lesados por contratos que, em muitos casos, sequer autorizaram.
O governador Mauro Mendes (União Brasil) quebrou o silêncio nesta quinta-feira (23/05) e afirmou que o governo já está tomando medidas duras diante das suspeitas.
“Há 30 dias, quando surgiram os primeiros sinais, determinei por decreto a abertura de uma sindicância para revisar contratos e apurar irregularidades. Agora, com indícios concretos, montamos uma força-tarefa”, declarou Mendes.
A movimentação do governo ocorre em meio ao temor de que o caso em Mato Grosso seja uma extensão do que já foi denunciado no INSS, com aposentados e pensionistas surpreendidos por dívidas não reconhecidas. A suspeita é de que empresas tenham fraudado contratos, com acesso indevido a dados dos servidores.
O governador garantiu que não haverá blindagem política ou corporativa.
“Doa a quem doer. O Ministério Público foi chamado e se alguma empresa agiu de forma ilegal, será duramente penalizada e responsabilizada”, enfatizou MM.
CPI em debate
No Legislativo, cresce a pressão por uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). Mendes não se opôs à ideia, mas mandou um recado:
“A CPI precisa de base concreta. Não se abre porque alguém acorda e decide. Se houver elementos, que se faça. Não vejo problema. Mas também, até agora, não vi justificativa suficiente”, pontuou o chefe do Executivo mato-grossense.
Reação dos servidores
Nas redes sociais, servidores públicos relatam surpresa ao descobrir descontos nos contracheques. Muitos dizem nunca ter solicitado qualquer empréstimo. A avalanche de reclamações expôs falhas nos sistemas de autorização e fiscalização, tanto do estado quanto das instituições financeiras envolvidas.
Enquanto isso, cresce o apelo por transparência. Sindicatos e entidades de classe cobram uma auditoria ampla e acesso às informações dos contratos firmados nos últimos anos.
O que vem agora
Com a força-tarefa em campo e a possibilidade de uma CPI no radar, o caso dos consignados promete ganhar novos capítulos nas próximas semanas. Para Mauro Mendes, o recado está dado: “Quem fraudou, vai pagar”.
Por Jota Passarinho
