Especialista do HDT-UFNT alerta sobre os malefícios do hábito de fumar…
Instituído em 1986, por meio de lei federal, o Dia Nacional de Combate ao Fumo completará 40 anos no próximo sábado (29/08). A data marca uma série de campanhas e ações com foco na conscientização da sociedade para a redução e, até mesmo, a eliminação do hábito de fumar. Algumas dessas ações foram a implementação de leis que proíbem fumar em locais fechados, a obrigatoriedade de empresas que comercializam fumo informarem os males causados pelo tabagismo e a proibição da propaganda comercial de cigarros e produtos de tabaco em mídias diversas.
Emanuell Felipe Silva, pneumologista do Hospital de Doenças Tropicais, da Universidade Federal do Norte do Tocantins (HDT-UFNT), vinculado à HU Brasil, destaca que, além do câncer de pulmão, o tabagismo está relacionado a outros cinquenta tipos de doenças. “No sistema respiratório, ele é a principal causa da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica, a DPOC, além de piorar muito a asma e deixar a pessoa mais suscetível a pneumonias e tuberculose. Também aumenta bastante o risco de câncer na boca, garganta, laringe e esôfago”, destaca.
Outros órgãos também são afetados pela toxicidade do fumo. O hábito de fumar aumenta em até quatro vezes o risco de infarto e acidente vascular cerebral, como explica o especialista. “Fumar causa problemas de circulação nas pernas e aneurisma. Fora isso, está ligado a câncer de bexiga, rim, pâncreas e estômago. Em outras áreas, provoca úlcera no estômago, osteoporose, catarata, infertilidade e impotência. Na gestação, pode levar a aborto, parto prematuro e bebê com baixo peso”, adverte.
Conforme dados do Ministério da Saúde (MS), ao longo dessas décadas houve uma redução no índice de fumantes no Brasil. Até 2006, 15% da população adulta declarava ser fumante. Esse percentual reduziu para 9,2%, em 2023. No entanto, voltou a crescer em 2025, atingindo 11,7% da população adulta. Segundo esses indicadores, no país há cerca de 25 milhões de fumantes entre a população adulta (a partir de 18 anos).
Acompanhamento
No Sistema Único de Saúde (SUS), é possível buscar auxílio para o enfrentamento da dependência do fumo, com tratamento e acompanhamento especializado. Emanuell Felipe salienta que parar de fumar é mais fácil quando existe apoio, primeiramente comportamental, por meio de grupos nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), além de o usuário ter a possibilidade de buscar orientação no Disque Saúde 136, opção 5.
O profissional acrescenta que, além de orientação, o SUS disponibiliza terapia de reposição de nicotina, com uso de adesivo e goma de mascar. “A bupropiona ajuda a diminuir a vontade e a fissura. A vareniclina, que voltou a ser oferecida em 2023, age diretamente nos receptores da nicotina no cérebro. A combinação do acompanhamento psicossocial com o remédio aumenta muito a chance de sucesso”, ressalta.
No âmbito social, o pneumologista ressalta a necessidade de aumentar a fiscalização, o preço dos derivados de tabaco e usar mais enfaticamente as redes sociais e demais mídias para aumentar a conscientização sobre o tema. “Sabemos que, quando o cigarro fica mais caro, mais pessoas param. Também é necessário combater o cigarro ilegal, usar melhor as redes sociais e a mídia com campanhas retratando histórias reais de ex-fumantes e alertas claros sobre os perigos do vape, principalmente nos jovens”, afirma Emanuell Felipe.
Particularmente sobre o cigarro eletrônico, o médico alerta sobre a proibição da venda, importação e propaganda desse produto. “Mesmo assim, a venda pela internet continua e é importante deixar claro: nenhuma sociedade médica recomenda o uso de vape para parar de fumar. Os tratamentos seguros continuam sendo o acompanhamento e os medicamentos do SUS”, finaliza o especialista.
