O alerta da ONU sobre o super El Niño que vai atingir o Brasil neste ano

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O Sudeste e o Centro-Oeste costumam apresentar irregularidade nos…

A Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência climática da ONU, emitiu nesta sexta-feira (3) um alerta global sobre a formação e a rápida intensificação do El Niño no Oceano Pacífico. O fenômeno deve atingir nível “forte” entre julho e setembro e elevar o risco de ondas de calor, secas e chuvas extremas em diversas regiões do planeta. No Brasil, órgãos científicos já projetam distribuição desigual de chuvas e risco de incêndios florestais. O alerta ocorre em um contexto de aquecimento global acelerado, que amplifica os efeitos de cada novo episódio do fenômeno.

Alerta da ONU: El Niño em curso e intensificação

O El Niño já se formou no Oceano Pacífico e deve ganhar força de forma acelerada ao longo do segundo semestre, com projeções apontando para a classificação do episódio como “forte” entre julho e setembro. O alerta foi divulgado pela OMM nesta sexta-feira (3), com base em modelos dos principais centros meteorológicos do mundo, que apresentam resultados convergentes sobre o aquecimento expressivo das águas do Pacífico equatorial central e leste.

“O El Niño já está em andamento e deve se fortalecer rapidamente, transformando-se em um evento forte”, afirmou a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo. Ela destacou que o fenômeno eleva as chances de secas, chuvas intensas e ondas de calor tanto em áreas continentais quanto nos oceanos.

A OMM não descarta revisões futuras que elevem a classificação para “muito forte”, caso as observações dos próximos meses confirmem a tendência atual. As temperaturas da superfície do mar em áreas-chave de monitoramento devem superar em mais de 2°C a média histórica nos próximos meses, o que reforça a confiança dos modelos na intensidade do episódio.

Impactos globais e no Brasil

O pico do El Niño está previsto para o período entre novembro e fevereiro, mas seus efeitos sobre temperaturas e padrões de chuva já devem ser sentidos antes disso. Na América Central, no Caribe e em partes da América do Sul, são esperadas condições mais secas do que a média. Há também previsão de redução das chuvas em áreas do sul da Ásia durante a temporada de monções e em partes da Indonésia e do Sudeste Asiático.

No Brasil, o El Niño historicamente produz efeitos desiguais entre as regiões: o Sul tende a registrar chuvas acima da média, enquanto o Norte e o Nordeste enfrentam períodos mais secos. O Sudeste e o Centro-Oeste costumam apresentar irregularidade nos volumes de precipitação, além de maior frequência de ondas de calor.

Painel El Niño, grupo formado por órgãos científicos brasileiros como o Inpe e o Inmet, já divulgou seu primeiro boletim, no fim de junho, com projeções para o trimestre em curso. Segundo o documento, há probabilidade de chuvas acima da média na região Sul e abaixo da média no centro-norte do país. O painel também aponta risco elevado de incêndios florestais em razão das altas temperaturas esperadas.

O El Niño e o aquecimento global

O episódio atual não ocorre num vácuo climático. Desde 2006, uma sequência de eventos de El Niño tem se somado ao aquecimento global progressivo do planeta, e mesmo episódios fracos ou moderados passaram a produzir extremos mais severos do que em décadas anteriores. A combinação entre o fenômeno natural e as temperaturas de base já elevadas amplia o risco de secas, enchentes e ondas de calor em escala global.

Segundo a OMM, a última manifestação do El Niño contribuiu para que 2023 fosse o segundo ano mais quente já registrado e para que 2024 estabelecesse o recorde histórico de temperatura média global, cerca de 1,55°C acima do nível pré-industrial de 1850 a 1900. Os dados reforçam que cada novo ciclo do fenômeno opera sobre um planeta progressivamente mais quente, tornando os impactos cumulativos.

A OMM prevê uma probabilidade extremamente elevada de temperaturas acima da média na maior parte das áreas habitadas do planeta neste trimestre, com os efeitos do El Niño projetados para se estenderem até o fim de 2026 e avançar por parte de 2027.

O cenário descrito pela agência da ONU evidencia que o enfrentamento dos eventos extremos exige não apenas respostas emergenciais, mas políticas climáticas estruturais capazes de reduzir as emissões que alimentam o aquecimento de fundo, sem o qual o El Niño seria um fenômeno natural de consequências bem mais limitadas.

Fonte:MSN

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