Em alguns casos, pode haver formação de pequenas úlceras nas polpas digitais, ou mesmo, necrose (morte do tecido) de área maior, denotando doença mais grave
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Trata-se de um distúrbio que ocorre quando os vasos sanguíneos dos dedos das mãos e dos pés se estreitam. Na maioria dos indivíduos, isso ocorre como resultado da exposição prolongada ao frio ou ao estresse emocional. Os sintomas observados no paciente dependem da duração, frequência e gravidade da constrição vascular.
O reumatologista e professor da Faculdade de Medicina (FAMED) da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), doutor Leandro Finotti, alerta para a possibilidade do fenômeno evoluir para o reumatismo e até o morte dos dedos.

Pode ser fixa, mas normalmente é transitória, melhorando com o aquecimento. Frequentemente é acompanhado de frialdade da pele, podendo ocorrer dor e formigamento. Em alguns casos, pode haver formação de pequenas úlceras nas polpas digitais, ou mesmo, necrose (morte do tecido) de área maior, denotando doença mais grave.
É sinal de funcionamento anormal dos menores vasos sanguíneos da pele. A palidez ocorre por contrição das arteríolas e capilares, resultando em redução do fluxo sanguíneo. A falta de oxigenação do sangue “represado” nos capilares traz o arroxeamento subsequente. Em alguns na casos, pode-se notar uma fase final de avermelhamento, consequente a uma intensa dilação vascular de proteção.
Aproximadamente 3 a 5% da população geral tem fenômeno de Raynaud. A maior parcela é representada por um fenômeno de Raynaud primário. Nesta condição, há uma resposta neurológica inadequada para o controle do tônus vascular. Em condições normais, quando nos expomos a baixas temperaturas, nossa pele manda a informação térmica para o cérebro, que reponde através de nervos autonômicos, os quais liberam substâncias químicas responsáveis pela contração dos vasos. Os pacientes que tem fenômeno de Raynaud primário liberam substâncias constrictoras em excesso em resposta ao frio. É condição benigna, e ocorre recuperação plena.
Para alguns casos de fenômeno de Raynaud, há causas externas modificáveis, como tabagismo, uso de medicações vasoconstrictoras para hipertensão arterial, rinite alérgica e enxaqueca, ou atividades vibratórias prolongadas contra a palma das mãos (manipulação de britadeiras), entre outras.
A maior importância do fenômeno de Raynaud é que ele pode ser secundário a enfermidades reumáticas, muitas vezes sendo sinal inicial e por vezes isolado, e nestas condições, ele pode ser mais grave.
A doença reumática que mais frequentemente apresenta o fenômeno de Raynaud chama-se Esclerose Sistêmica Progressiva. Costuma ser o primeiro sinal e o diagnóstico tardio dessa doença geralmente traz resultados ruins. Outras enfermidades reumáticas para as quais o fenômeno de Raynaud pode levantar suspeita são o Lúpus Eritematoso Sistêmico, a Doença Mista do Tecido Conjuntivo, a Dermatomiosite, a Síndrome Antifisfolipídica e as Vasculites Sistêmicas.
Para os casos em que não é possível se diagnosticar doença reumática atual através dessa abordagem, pode-se recorrer a um exame chamado capilaroscopia periungueal. É um exame simples de microscopia dos pequenos capilares do leito das unhas. Os vasos sanguíneos dos pacientes com fenômeno de Raynaud próprio de enfermidades reumáticas podem ter alterações estruturais, como dilatações grosserias em arbustos e megacapilares ou áreas de deleção capilar (regiões de morte de vasos sanguíneos).
Pacientes com fenômeno de Raynaud e sem doença reumática detectável, somados a uma capilaroscopia normal, são muito provavelmente saudáveis, ou seja, não apresentam doença associada. Já aqueles que tenham alterações imunológicas em exames de sangue e capilaroscopia alterada, tem chance aumentada de virem a apresentar doença reumática futura.
Em resumo, atente-se para o fenômeno de Raynaud. Ele pode ser uma chave para o diagnóstico de enfermidades reumáticas, e muitas vezes, em fase inicial”