De “tô num jantar com Hugo” a “queria saber de tudo”: cronologia dos 6 encontros revelados no caso Master.
Mensagens apreendidas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, sugerem pelo menos seis encontros com Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados, entre fevereiro e agosto de 2025, logo após a eleição de Motta para o cargo. As conversas, trocadas com a ex-namorada Martha Graeff e vazadas em investigações do Supremo Tribunal Federal (STF), descrevem jantares na residência oficial da Câmara, reuniões que se estendiam até as 3h da manhã e uma proximidade que o banqueiro relata em detalhes casuais. Motta, que nega irregularidades, tem evitado comentar os episódios, enquanto o caso ganha tração em meio à pressão por uma CPI sobre as fraudes no banco, liquidados pelo Banco Central com prejuízos milionário em operações suspeitas.
O primeiro registro explícito ocorre em 26 de fevereiro de 2025, menos de um mês após Motta assumir a presidência da Câmara em 1º de fevereiro. Às 20h58, Vorcaro justifica o atraso em uma ligação para Graeff: “Tô num jantar na residência oficial com Hugo e seis empresários”. O evento, descrito como restrito, aconteceu na sede oficial do Legislativo em Brasília, mas os nomes dos empresários não foram divulgados nas reportagens até o momento. Horas antes, às 19h30, ele já sinalizava: “Tô aqui em Brasília trabalhando amor”, sugerindo agenda intensa na capital.
Outros encontros se seguem em ritmo acelerado. Em 20 de março (ou possivelmente 3 de março), Vorcaro relata a chegada de “Hugo e Ciro [Nogueira]” para uma conversa com “Alexandre” – possivelmente referência a Alexandre de Moraes, ministro do STF. Uma ligação às 23h12 confirma o desencontro noturno. Em maio, o tom ganha intensidade: no dia 8, Vorcaro descreve uma reunião onde “Hugo saiu daqui quase três da manhã” e enfatiza que o deputado “queria saber de tudo no detalhe”, em uma conversa que durou horas em Brasília. Em julho, ele menciona “morrendo de sono, mas esperando ainda Hugo chegar”, e em agosto, relata encontro no aeroporto seguido de mais uma rodada na residência oficial do Senado, com previsão de continuidade dias depois.
As mensagens, obtidas após quebra de sigilo autorizada pelo STF, pintam um quadro de relação fluida e recorrente, com Vorcaro atualizando Graeff em tempo real sobre os compromissos. Não há, até agora, indícios explícitos de negociações ilícitas nessas trocas – que soam pessoais e logísticos –, mas o contexto do Banco Master amplifica suspeitas. Vorcaro está preso desde março de 2026, após o STF manter sua detenção em meio a delações sobre lucros ilícitos e contatos com o alto escalão político, incluindo elogios a emendas de Ciro Nogueira. O banqueiro chegou a ter surto na cela, gritando nomes de autoridades.
No Congresso, o silêncio de Motta sobre o futuro do caso Master é ensurdecedor. Aliado ao Centrão, ele e Davi Alcolumbre, presidente do Senado, não avançam pedidos de CPMI, apesar da oposição usar os áudios para cobrar transparência. A assessoria de Motta afirma que os encontros, se ocorreram, foram protocolares, mas a cronologia pós-eleição sugere laços mais profundos, possivelmente ligados a interesses do banco em negociações como a venda ao BRB. Com Vorcaro sob risco de delação premiada, o escândalo pode dominar as eleições de 2026, como o próprio Motta previu em entrevista recente.
Investigações prosseguem, com mensagens citando ainda Lula, Moraes e outros, mas o foco em Motta destaca como o presidente da Câmara navegou de estreante a figura central no caso Master. Sem respostas oficiais detalhadas, o que resta são as palavras de Vorcaro: uma teia de jantares, madrugadas e “detalhes” que expõem os bastidores do poder em Brasília.
Por:PabloCarvalho
