Segundo a Agência Internacional de Energia, a guerra no Oriente Médio reduziu a produção após a paralisação no Estreito de Ormuz, interrompendo fluxos cruciais de petróleo e derivados para o comércio global
Os países do Golfo reduziram a produção de petróleo em pelo menos 10 milhões de barris diários com o bloqueio do Estreito de Ormuz pela guerra no Oriente Médio, o que representa “a maior perturbação” de fornecimento da história, afirmou nesta quinta-feira (12) a Agência Internacional de Energia (AIE).
“A produção de petróleo bruto foi reduzida em pelo menos 8 milhões de barris por dia (mb/d), em conjunto com 2 mb/d” relacionados a derivados de petróleo (incluindo os condensados), que foram “paralisados”, destacou a AIE em um relatório.
Em particular, segundo a agência, foram registradas “importantes reduções da oferta” no Iraque, Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita, países alvos de atos de represália do Irã. A situação pode representar uma oportunidade para vários produtores da América Latina, como Brasil, Venezuela e México, porém com valores de frete elevados.
“A guerra no Oriente Médio está provocando a maior perturbação do fornecimento em toda a história do mercado mundial de petróleo”, afirma o relatório da agência de energia da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), com sede em Paris.
Os fluxos de petróleo bruto e derivados que atravessam o Estreito de Ormuz, um ponto crucial para o comércio mundial, eram de cerca de 20 mb/d antes do conflito regional, no qual o Irã fechou de fato o tráfego pelo estreito.
No momento, o fornecimento foi reduzido ao mínimo. A AIE calcula que o fornecimento mundial de petróleo deve registrar queda de 8 milhões de barris por dia em março, já que as reduções de produção no Oriente Médio serão apenas parcialmente compensadas por um aumento da produção dos países não membros da aliança ampliada Opep+, assim como do Cazaquistão e da Rússia.
O relatório também destaca que “as interrupções nas exportações a partir do Golfo Pérsico estão obrigando as refinarias a diversificar suas fontes de fornecimento, e os compradores asiáticos recorrem cada vez mais aos Estados Unidos, África Ocidental e América Latina”.
Contudo, as rotas comerciais mais longas exigem mais navios e tempo, “o que intensifica a pressão de alta sobre as tarifas de frete” e impacta os preços.
*AFP-JovemPan
