Ex-governador de Mato Grosso rompe silêncio, critica gestão atual e denuncia omissão e prioridades distorcidas
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Durante entrevista ao programa Alô Chapada, o advogado, ex-procurador da República, ex-senador e ex-governador de Mato Grosso, Pedro Taques, fez duras críticas à gestão de Mauro Mendes (União Brasil), classificando o atual chefe do Executivo estadual como “terceirizador de problemas” e “governador de fachada”. Sem partido e fora dos holofotes nos últimos anos, Taques fez um longo desabafo, abordando desde obras paralisadas na Chapada dos Guimarães até supostas irregularidades em contratos sem licitação.
“Mato Grosso não nasceu em 1º de janeiro de 2019”, disparou Taques, em referência ao que chama de “arrogância política” de Mendes. Ele afirmou que obras e programas iniciados durante sua gestão foram apropriados pela atual administração sem o devido reconhecimento. “Fizemos a captação de água da Chapada, que resolveu o problema da população, mas o Mauro inaugura e diz que foi ele”, criticou.
Terceirização, omissão e servidor público
Pedro Taques também acusou Mauro Mendes de negligenciar os servidores públicos e desmontar a estrutura estatal por meio da terceirização excessiva.
“Hoje temos mais contratados do que efetivos. Só na educação, 75% são professores temporários”, denunciou.
Segundo ele, o atual governo tem adotado a prática de “jogar responsabilidades para Brasília” e abandonar áreas essenciais como saúde, educação e segurança.
“Mato Grosso está entre os estados mais violentos do país e o governo não investe em efetivo policial. Em 2016 tínhamos 8.400 PMs, hoje são apenas 6.300”, comparou.
Caso Capital Consig e denúncias de omissão
Taques também revelou sua atuação como advogado de oito sindicatos e da federação de servidores públicos, que representam cerca de 40 mil trabalhadores prejudicados por descontos indevidos em consignados administrados pela empresa Capital Consig. Segundo ele, houve omissão direta da Secretaria de Planejamento e do próprio governo.
“Foram mais de 12 meses sem qualquer atitude, enquanto servidores se endividavam. Só suspenderam os descontos depois da nossa pressão.”
“Saí como entrei: sem inquérito, sem ação”
Em tom confessional, Taques relembrou sua trajetória e reafirmou seu legado. “Fui o único governador a sair como entrei: sem responder a um único inquérito policial, sem ação penal ou por improbidade.” Ele lamentou as críticas recebidas no período em que governou o estado durante uma forte recessão, mas destacou medidas como o pagamento de 17% do RGA e a reestruturação fiscal de Mato Grosso.
Prioridades invertidas e críticas ao Parque Novo Mato Grosso
Pedro Taques não poupou críticas ao investimento de R$ 2 bilhões no Parque Novo Mato Grosso, que segundo ele “não é prioridade num estado com déficit de segurança, saúde e educação”.
“Só em grama, gastaram R$ 6 milhões. Enquanto isso, milhares de jovens estão fora da escola e há déficit de policiais. É a corrupção das prioridades”, disparou.
Ele também questionou a legalidade da execução das obras.
“Tudo sem licitação. O Ministério Público e o Tribunal de Contas precisam agir”, cobrou.
Futuro político indefinido — mas na mira
Questionado sobre uma possível candidatura em 2026, Pedro Taques desconversou.
“Sou candidato a ser um bom cidadão”, respondeu, mas revelou que pesquisas já o colocam entre os três primeiros na disputa ao Senado. “Passei cinco anos em silêncio. Mas o povo ainda lembra do meu nome. E isso diz muito.”





