Início Economia Planeta pode entrar em colapso em 50 anos, diz estudo

Planeta pode entrar em colapso em 50 anos, diz estudo

0

A comunidade internacional deve atuar já contra a mudança climática se quer evitar um verdadeiro “desastre” para a economia mundial, que poderia cair até 20% em 50 anos por culpa da alta das temperaturas do planeta. Essa é a advertência do relatório preparado para o governo britânico pelo economista Nicholas Stern, que convoca os governos de todo o mundo a fixar um preço para as emissões de CO2 mediante o pagamento de impostos.

O relatório adverte que com uma alta das temperaturas de um 3 ou 4 graus centígrados, o aumento do nível dos mares transformará a dezenas e até centenas de milhões de pessoas em vítimas das inundações que se produzem cada ano. As áreas litorâneas do sudeste da Ásia, sobretudo Bangladesh e Vietnã, assim como as pequenas ilhas do Caribe e do Pacífico terão que ser protegidas do mar. Grandes cidades como Tóquio, Londres, Nova York ou Cairo também ficarão expostas ao risco de inundações.

A diminuição drástica das colheitas em continentes inteiros como a África impedirá os agricultores de produzir ou comprar alimentos suficientes para sua manutenção, assinala o relatório, segundo o qual as secas e as inundações poderiam transformar duzentos milhões de seres humanos em refugiados. O derretimento das geleiras aumentará primeiro o risco de inundações e reduzirá posteriormente as reservas de água potável, o que será uma ameaça para aproximadamente um sexto da população mundial.

Os ecossistemas também sofrerão as conseqüências da mudança climática, e assim entre 15% e 40% das espécies vão ficar expostas à extinção, isto com apenas uma alta de 2% das temperaturas médias. Além disso, se prevê entre 5% e 10% de aumento na velocidade dos ventos dos furacões, fator que, unido ao aumento das temperaturas dos mares, dobrarão os danos por catástrofes em países como os EUA.

Para a metade do século haverá ondas freqüentes de calor parecidas às experimentadas há três anos na Europa, nas quais calcula-se que morreram 35 mil pessoas e as perdas agrícolas alcançaram US$ 15 bilhões. Para evitar efeitos tão catastróficos, o ministro britânico do Tesouro, Gordon Brown, defendeu hoje por uma ação internacional que deve incluir, entre outras coisas, uma redução das emissões européias de CO2 de 30% para o ano de 2020 e de pelo menos 60% para o ano de 2050.

O relatório, apresentado nesta seguda-feira em Londres, defende a cooperação internacional para fomentar a pesquisa e o desenvolvimento de novas tecnologias e assinala que as ações para reduzir as emissões que contribuem para o efeito estufa devem ser consideradas como um investimento para o futuro.

Os governos do mundo desenvolvido devem, além disso, levar em conta que os países pobres serão os primeiros a sofrerem e além disso os que mais diretamente vão suportar as conseqüências desse fenômeno. As medidas para limitar radicalmente as emissões de CO2 podem trazer benefícios para a economia mundial em torno de US$ 2,5 trilhões ao ano, assinala o documento. O mercado de tecnologias limpas poderia representar por sua vez um valor anual perto de US$ 500 bilhões e talvez muito mais para o ano de 2050 se forem tomadas as medidas necessárias. Brown recomendou, além disso, estabelecer laços comerciais com o Brasil, Papua Nova Guiné e Costa Rica para assegurar a sustentabilidade do exploração florestal assim como cooperar com os gigantes econômicos emergentes como China ou a Índia no campo das tecnologias limpas.

O autor do relatório, Nicholas Stern, declarou à BBC que, sem ações urgentes e em nível internacional, cujo financiamento equivaleria a aproximadamente 1% do PIB mundial, não se conseguirá reduzir as emissões de CO2 na medida necessária.

EFE

SEM COMENTÁRIOS

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Digite seu nome aqui

Sair da versão mobile