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Polícia Civil de Mato Grosso mira integrantes de facção foragidos no Rio de Janeiro e sequestra frota de luxo

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Investigação identificou uma estrutura que funcionava como uma base de
proteção, comando e articulação, concentrando foragidos da Justiça de Mato
Grosso

A Polícia Civil deflagrou, na manhã desta terça-feira (25.8), a Operação
Dark Route, para o cumprimento de ordens judiciais contra o núcleo de uma
facção criminosa, com atuação no eixo Mato Grosso–Rio de Janeiro.

Na operação, são cumpridos nove mandados de prisão preventiva, três
mandados de busca e apreensão e cinco sequestros de veículos de luxo,
decretados pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias – Polo Cuiabá,
com base em investigações conduzidas pela Gerência de Combate ao Crime
Organizado e Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado
(GCCO/Draco).

As medidas buscam atingir um núcleo  que atua para garantir proteção a
foragidos, manutenção de soldados armados, movimentação financeira, suporte
logístico e ocultação patrimonial.

Os mandados são cumpridos nas cidades de Várzea Grande e Rio de Janeiro
(RJ). Entre os alvos, estão especialmente criminosos homiziados em áreas
dominadas pela facção no território fluminense e seus braços financeiros,
operacionais, logísticos e patrimoniais em Mato Grosso.

*Base operacional do RJ*

A investigação aponta que o Rio de Janeiro não é utilizado pelos
investigados apenas como esconderijo para os integrantes da facção
criminosa. Os elementos reunidos indicam que a estrutura instalada no
Estado fluminense funcionava como uma base de proteção, comando e
articulação, concentrando foragidos da Justiça de Mato Grosso, integrantes
da facção denominados “soldados armados” e pessoas responsáveis pelo
suporte à liderança.

A base no Rio de Janeiro funcionava como um entreposto operacional, para
onde iam foragidos e soldados e de onde eram mantidas conexões com as
atividades desenvolvidas em Mato Grosso. Parte dos integrantes estava
instalada no Complexo do Alemão.

*Fuzis e estrutura armada*

As investigações apontaram ainda que o grupo investigado possui capacidade
bélica, sendo identificados integrantes portando e efetuando disparos com
fuzis de uso restrito, além de registros relacionados à guarda e ao
remanejamento de armas e munições.

Levantamentos feitos durante a investigação mostram soldados armados em
território dominado pela facção e o manejo de fuzis com referências à
facção criminosa e ao apelido da liderança investigada.

*Alvo preso após deixar o Complexo do Alemão*

Antes da deflagração, um dos alvos teve o mandado de prisão cumprido na
quinta-feira, 20 de agosto. O investigado, apontado como um dos auxiliares
da liderança, foi localizado e preso com o apoio da Polícia Civil no Rio de
Janeiro, após deixar o Complexo do Alemão para frequentar uma academia.

Durante a fase ostensiva da Dark Route, outros dois alvos de prisão foram
capturados em Várzea Grande, onde também foi cumprida medida de busca e
apreensão contra outro investigado.

*Criminoso foragido*

O principal alvo da investigação é foragido da Justiça de Mato Grosso e
permanece homiziado no Rio de Janeiro, não sendo localizado nesta fase da
operação. Entretanto, com as investigações da Operação Dark Route, ele
passa a contar com mais um mandado de prisão preventiva em aberto,
decorrente dos novos fatos investigados.

A investigação mostra que sua fuga para o Rio de Janeiro não interrompeu
sua atuação no crime. Segundo os elementos reunidos, a liderança continuou
utilizando áreas dominadas pela facção como ponto de proteção e
articulação, mantendo contato com operadores financeiros, soldados armados,
familiares e interpostas pessoas.

*Frota de luxo*

A investigação identificou uma frota de veículos de luxo que circulava
entre integrantes do grupo no eixo Rio de Janeiro–Mato Grosso, inclusive
com automóveis formalmente registrados em nome de terceiros, embora
utilizados por pessoas próximas à liderança.

Os veículos são apontados como instrumentos de deslocamento, logística,
ostentação e ocultação patrimonial. A Justiça determinou o sequestro de
cinco veículos: um Porsche Boxster GTS, duas BMWs, um Audi A3 e um
Volkswagen T-Cross, com valor conjunto estimado em aproximadamente R$ 1,5
milhão.

O sequestro dos veículos integra a estratégia de descapitalização do grupo,
buscando retirar não apenas os integrantes de circulação, mas também os
bens utilizados para sustentar sua logística e demonstrar poder econômico.

*Objetivo da operação*

A operação busca desarticular o núcleo criminoso, atuando nas duas pontas
da estrutura, localizando e prendendo os foragidos que utilizam o Rio de
Janeiro como base de proteção e, simultaneamente, atingindo os braços
financeiros, operacionais e patrimoniais que sustentam suas atividades em
Mato Grosso.

Com as prisões já realizadas, os mandados ainda em aberto e o sequestro da
frota de luxo, a operação busca demonstrar que o refúgio em território
dominado por facções criminosas não impede a atuação estatal nem protege o
patrimônio e a rede de apoio construída pelos investigados.

*Nome da operação*

O nome Operação Dark Route faz referência à ligação criminosa estabelecida
no eixo Mato Grosso–Rio de Janeiro, utilizada para a circulação de
integrantes, recursos financeiros, apoio logístico e da frota de veículos
de luxo vinculada ao grupo, conectando criminosos homiziados no território
fluminense aos seus braços operacionais, financeiros e patrimoniais em Mato
Grosso.

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