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Polícia Civil conclui investigação e indicia caseiro e policial militar por assassinato do advogado Renato Nery

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Imagens captadas por câmeras ao longo do trajeto foram fundamentais para elucidar o caso

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CUIABÁ (MT) — A Polícia Civil de Mato Grosso concluiu a primeira fase do inquérito que apura o assassinato do advogado Renato Nery, ocorrido em julho de 2024. As investigações, conduzidas pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), resultaram no indiciamento de dois envolvidos diretos no crime: um caseiro de uma chácara em Várzea Grande e um policial militar da ativa.

Ambos foram indiciados por homicídio qualificado, com agravantes por promessa de recompensa e uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima.

Crime planejado e execução

De acordo com o delegado Bruno Abreu, responsável pelo inquérito, o homicídio foi cuidadosamente arquitetado. As investigações revelaram que o policial militar teria intermediado o crime, conseguindo a arma de fogo utilizada e repassando-a ao caseiro, que, por sua vez, executou os disparos contra o advogado. O crime teria sido motivado por disputa fundiária envolvendo um casal de Primavera do Leste, apontado como mandante do assassinato.

O caseiro, conforme registrado em câmeras de segurança, utilizou uma motocicleta Honda Fan para monitorar a rotina da vítima nos dias que antecederam o homicídio. A tentativa inicial de execução teria ocorrido no dia 4 de julho, mas foi frustrada por motivos ainda desconhecidos. No dia seguinte, 5 de julho, Renato Nery foi alvejado em frente ao seu escritório, localizado na Avenida Fernando Corrêa da Costa, em Cuiabá.

Após o crime, o executor percorreu cerca de 30 km até retornar à chácara em Várzea Grande. Imagens captadas por câmeras ao longo do trajeto foram fundamentais para elucidar o caso.

Prisões e colaboração

Os dois executores seguem presos preventivamente. Já o casal investigado como mandante teve a prisão temporária decretada. A mulher manifestou intenção de colaborar com as investigações e será ouvida na presença de seu advogado. O homem, por sua vez, permaneceu em silêncio durante o depoimento.

Farsa em confronto armado

Durante a apuração do homicídio, a Polícia Civil descobriu uma tentativa de encobrimento: uma suposta troca de tiros envolvendo a Polícia Militar, registrada sete dias após o assassinato. Segundo a investigação paralela, os quatro militares envolvidos forjaram a cena do confronto para justificar a “descoberta” da arma usada no crime. Exames periciais comprovaram que as armas apresentadas foram plantadas posteriormente, e que as pessoas abordadas na ocorrência não portavam armamento algum.

Esses quatro militares também foram indiciados por tentativa de ocultar provas e encobrir os responsáveis pela execução do advogado. No entanto, até o momento, não há indícios de que eles tenham participado diretamente do homicídio.

Continuidade das investigações

A Polícia Civil instaurou um inquérito complementar para apurar outros aspectos do caso, como os pagamentos feitos aos executores, os intermediários envolvidos, e a trajetória da arma até aparecer na cena do confronto forjado.

Renato Nery tinha 72 anos e era advogado atuante em Cuiabá. Ele chegou a ser socorrido e passou por cirurgia, mas não resistiu aos ferimentos.

A Polícia Civil reforça que as investigações seguem em andamento para responsabilizar todos os envolvidos na trama criminosa.

Da redação

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