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R7: Sucesso na China e Ucrânia, funkeira Bibi Babydoll diz que viralizar foi ‘horrível e pavoroso’

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Da noite para o dia, cantora curitibana viu suas redes sociais ganharem comentários em outras línguas

De cabelo platinado e segurando uma esmerilhadeira, uma jovem de 24 anos viu a própria música viralizar no TikTok do dia para a noite. Parece uma notícia comum, mas, no caso de Bibi Babydoll, a gravação Automotivo Bibi Fogosa foi parar na Ucrânia em 2023 e virou, sem querer, o hit da guerra. Isso porque, durante o conflito com a Rússia, usuários ucranianos passaram a dançar e reagir à canção nas redes sociais.

Com letras explícitas e músicas que misturam funk brasileiro, phonk, EDM e eletrônica, Beatriz Alcaide Santos também estourou na China, em Belarus, no Cazaquistão e, claro, no Brasil.

A partir daí, o sucesso veio embalado em um turbilhão de comentários, seguidores e terror. Em entrevista exclusiva ao R7, Bibi contou que viralizar sem ter uma equipe e sem entender como o mercado funciona “foi horrível”.

“Amei estourar, mudou a minha vida. Mas foi pavoroso, eu não conhecia ninguém”, relembra a funkeira. Sem dar detalhes, ela diz que perdeu muitas coisas e que uma gravadora se aproveitou dela naquele momento.

A funkeira, de 27 anos, começou como youtuber, fez aulas de canto e produção musical, depois virou performer em casas noturnas de Curitiba, no Paraná, se formou em publicidade e propaganda e, hoje, já fez duas turnês pela Europa, passando principalmente por Portugal. Bibi também já admitiu ter feito conteúdo adulto no início da carreira.

O primeiro hit da cantora, Automotivo Bibi Fogosa, teve apenas R$ 30 de investimento para estourar e foi uma parceria com o DJ Brunin XM. Ela gravou os vocais debaixo do cobertor e enviou ao produtor, que pagou para uma página da Ucrânia usar a música.

O sucesso de Bibi no Leste Europeu pode ser explicado de muitas maneiras, mas talvez nunca se chegue a um veredito: a batida das canções é envolvente, o funk está em alta fora do Brasil e a voz dela é melódica.

A coreografia de Automotivo Bibi Fogosa foi reproduzida milhares de vezes, e o hit também usa o sample de Can You Feel My Heart, da banda Bring Me The Horizon. Com ela, a cantora atingiu diversas marcas:

  • Top 1 na playlist Viral Global do Spotify (2023);
  • Top 1 no Spotify da Ucrânia (2023);
  • 157 milhões de ouvintes no YouTube, superando Anitta (2025);
  • 3º lugar no Spotify entre artistas brasileiras mais ouvidas no exterior (2025).

Com tantos marcos, Bibi comemora a liberdade de ter ficado conhecida sem um “padrinho”. “Estar livre é o que importa. Eu estourei sozinha, tudo o que fiz na minha vida foi por conta própria”, defende.

Em 2025, a funkeira de Curitiba virou a artista mais ouvida na China com Automotivo Amar, Ma Ma Ma, que rendeu o status Diamante no NetEase Music, uma das maiores plataformas de streaming de música da região.

Veja a entrevista na íntegra:

R7 – Por que você acha que os países do leste europeu se interessam tanto pelas suas músicas? Como você interage com os fãs de lá?

Bibi Babydoll – Eu acho que é uma mistura de coisas: o funk é um ritmo que está sendo mais ouvido lá fora, além do brazilian phonk, que é uma mistura de vocais em português com um ritmo eletrônico gringo. Por mais que eu cante em português e eles não entendam o que estou cantando, a minha voz é muito melódica.

O estilo automotivo cabe em diversos nichos, inclusive em festas, ambiente universitário, para jogar, ouvir na academia. A gente já chegou a ouvir Aquecimento Bibi Fogosa na rua, na saída de um show em Portugal. Passou um carro ouvindo uma das minhas músicas.

Na época que estourei, eu pesquisava no tradutor como se fala algumas frases em ucraniano, dublava e postava no TikTok. Já falei em indiano, em espanhol, em turco, em muitas outras línguas. Eu tirava o dia inteiro para responder aos fãs.

R7 – Você chegou a pensar em desistir da carreira artística no início?

Bibi Babydoll – Quando é um sonho mesmo, de verdade, não um lance por dinheiro, você não tem como desistir. Só que [viralizar] foi horrível. Eu estava presa em uma gravadora, tive muita sorte de conseguir sair, mas perdi muita coisa no caminho. Acho que estar livre é o que importa. Tem muito artista que não consegue liberdade e fica preso.

Eu estourei sozinha. Tudo o que fiz na minha vida foi por conta própria, ou da equipe que tenho hoje, mas tudo por minha causa. Empresas vieram para tentar me ajudar, eu dei uma chance, porque realmente estava atolada de coisa, e só passaram a perna em mim.

R7 – Por que você escolheu Bibi Babydoll como nome artístico?

Bibi Babydoll – Como meu nome é Beatriz, Bibi é um apelido fofo. E eu precisava de um complemento, mas não queria ser MC Bibi, não combinava comigo. Um dia, eu coloquei “babydoll” na brincadeira e ficou. Eu não achei nenhum melhor, na verdade (risos). Babydoll também quer dizer bonequinha.

R7 – Como você se inspira para criar as suas roupas dos shows?

Bibi Babydoll – Eu gosto muito e me inspiro em cosplayers, maquiagens mais góticas com um delineado mais marcado e até drag queens. Meu sonho era crescer e virar uma diva para poder usar as roupas mais extravagantes todos os dias. E acho que minhas grandes referências foram a Sharpay, de High School Musical, e a Mia, do RBD.

R7 – Tem algo que você sempre faz antes de subir ao palco?

Bibi Babydoll – Eu sempre peço proteção e muito carisma. Sei que parece estranho, mas outra coisa que gosto de fazer é imaginar que o público vai me odiar. Que vou entrar, as pessoas vão estar de costas, eu vou falar um “A”, e vai esvaziar. Porque é óbvio que isso não vai acontecer, então, se não acontecer, fico muito feliz e aliviada.

Já aconteceu [de virarem de costas], mas faz parte, sabe? Todo artista tem isso na história. Se você lida com alguém que virou as costas, você lida com qualquer coisa.

Às vezes é um público muito novo, que não te conhece, eles não vão engajar tanto. Só que é a sua oportunidade de conquistá-los. Eu também foco na equipe que está comigo no dia. Sempre tem aquela “pessoa de segurança”.

O Fenerbahçe, um dos maiores clubes de futebol da Turquia, já usou a música ‘Automotivo Bibi Fogosa’ em uma publicação nas redes sociais

R7 – Ser artista é uma loucura e envolve muitos compromissos, ansiedade, shows e também haters. Você cuida da sua saúde mental?

Bibi Babydoll – Faço terapia e acompanhamento com psiquiatra. Eu tinha um certo preconceito, tinha medo de ele me recomendar um remédio que tirasse o meu ‘glow’ [brilho]. Só que não, eu sou muito mais produtiva hoje. Consigo lidar muito melhor com tudo, ficar calma e saber que não é o fim do mundo.

Acho que o tratamento é extremamente importante. As pessoas têm que entender que, quando você está com problema de estômago, você toma um remédio e não se sente mais fraco por isso.

A nossa geração é feita para que a gente tenha esse tipo de problema. É uma rolagem infinita de tela e tudo favorece para que a gente faça comparações infinitas. Tudo isso faz a gente adoecer. Só que eu não tenho esse luxo, digamos assim, de desativar meu Instagram. Tenho que estar ligada, entrar no meu perfil e responder a mensagens.

R7 – Você já teve músicas bombadas e, claro, ‘Catzin’, feat com a Valesca Popozuda. Qual a parceria dos seus sonhos?

Bibi Babydoll – Acho que minha maior diva é a Lady Gaga, mas estou gostando muito da nova geração: Sabrina Carpenter, Slayyyter, Charli XCX. No Brasil, Anitta, com certeza, Pabllo Vittar, Luísa Sonza, Glória Groove. Eu não teria vindo para essa carreira se não fosse por elas, porque eu achava que não era possível.

O DJ é a alma da festa, se o performer vai ou não, a festa continua. [Quando era performer] eu queria que a galera gritasse pra mim

(Bibi Babydoll)

R7 – Quando começou o curso de publicidade, você pensava em atuar na área?

Bibi Babydoll – Não, nunca pensei. Fiz a minha formatura online, porque já estava morando em São Paulo, mas demorei dois anos para pegar o meu diploma. Só quis porque ele fica bonito na estante. Tudo o que aprendi no curso eu uso até hoje, mas precisar do meu diploma, eu nunca precisei.

R7 – Você já falou que não se incomoda de ter o título de “artista de TikTok”, porque as suas músicas já viralizaram lá. Como você enxerga tudo isso?

Bibi Babydoll – Tudo tem que ser muito equilibrado. O TikTok realmente muda vidas, você pode até ver as últimas artistas gringas que se evidenciaram por causa de músicas que viraram trend, a Charli XCX, a Sabrina Carpenter.

Se a música estourar no TikTok, você vende show, vai a podcasts, vai construindo a sua imagem. Se alguém vier falar “você é artista de TikTok”, eu sou mesmo, estou aqui lacrando. Eu quero mais é que minha música estoure nas redes sociais.

Porém, se você é uma artista apenas de TikTok e não trabalha a sua imagem e o seu posicionamento, você vai ter uma carreira muito curta.

R7 – Qual foi o primeiro sinal que te fez pensar que estava realmente famosa?

Bibi Babydoll – Pra ser sincera, eu pensei isso de verdade nos últimos dias. Fui a um bar que escolhi por achar que fosse mais vazio. E, mesmo assim, ainda vieram tirar foto comigo e ficaram me olhando. Também se aproximaram só pra ficar perto, e eu comecei a sentir um certo incômodo.

Só que isso é uma coisa que eu sempre quis sentir, então, no fundo, fiquei feliz com esse incômodo. Era exatamente essa sensação que eu queria: saber que, em nenhum lugar, eu estou passando 100% despercebida.

Em Curitiba, eu comecei sendo bem nichada. Fico impressionada quando é alguém mais velho que me para para pedir foto.

R7 – Você já falou que chegou a fazer conteúdo adulto em uma época e que não se arrepende. Essa visão continua?

Bibi Babydoll – Foi algo muito temporário. Quando eu saí de casa, precisava de dinheiro para morar sozinha e investir nas minhas aulas de canto e produção musical e nos meus clipes. Era o único trabalho que me permitia ter controle do meu tempo, sem que eu precisasse bater um ponto e voltar. Eu já fui recepcionista em um estúdio de pole dance, mas era bem novinha, morava com a minha mãe ainda.

Não demorou muito para a minha música estourar, estava ficando muito complicado e eu não queria me expor mais, queria focar na minha carreira artística. Foi uma fase que não tenho vergonha, eu não escondo. Mas hoje também não faz mais sentido para mim.

O meu sonho era fazer isso por um tempo e hoje só vivo da música, então nunca mais entrei, nem postei nada.

R7

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