Líder do governo no Senado foi alvo de operação da Polícia Federal e teve R$ 253 mil apreendidos
“Esquecida” por um tempo, a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) sobre o caso do Banco Master voltou a ser cobrada por senadores da oposição. A pressão pela instalação veio após a operação Compliance Zero da Polícia Federal mirar o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).
O líder da oposição no Congresso, Izalci Lucas (PL-DF), avalia a situação como inaceitável e acredita que as informações que vieram à tona com as investigações não são um fato isolado.
“O Senado não pode ser conivente com essa rede de favorecimentos. O parlamento tem o dever moral de instalar imediatamente a CPMI do Master para desmascarar esse sistema”, afirmou.
Nessa quinta-feira (18), a PF (Polícia Federal) deflagrou a nona fase da operação que apura corrupção, lavagem de dinheiro e crimes financeiros envolvendo o Master. Foram apreendidos o equivalente a R$ 253 mil em notas de dólar em um quarto de hotel em Brasília vinculado a Jaques Wagner.
Segundo apontam as investigações, os valores seriam pagamentos ao senador por sua atuação no Congresso em favor de interesses do banco de Daniel Vorcaro.
O parlamentar negou irregularidades e justificou que o dinheiro seria referente a diárias de viagens oficiais pagas pelo Senado.
Nessa quinta, após a operação, Wagner também afirmou que fez questão de assinar o pedido de criação da CPI, apesar de achar que a investigação no Congresso não seria necessária.
“Eu assinei a CPI do Banco Master. Não sei o que ela poderia acrescentar, porque as investigações já foram longe e, do meu ponto de vista, está tudo exposto, mas fiz questão de assinar para não parecer que eu tivesse qualquer preocupação”, declarou em entrevista.
Esperança
Ao R7, o senador Eduardo Girão (Novo-CE) defendeu a CPI, mas disse não esperar que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), instale a comissão. Por isso, o pedido foi judicializado e aguarda uma decisão do STF (Supremo Tribunal Federal).
Segundo ele, dois mandados de segurança foram encaminhados ao Supremo, um com o ministro Nunes Marques e outro com André Mendonça. O senador acredita que os fatos tornados públicos após a operação podem pressionar pela abertura do grupo de investigação.
“A gente espera que um dos dois, principalmente André Mendonça, determine a abertura [da comissão]. Nós temos precedentes com relação a isso, que foi a CPI da pandemia da Covid-19″, lembrou.
Outros parlamentares, como o deputado Sanderson (PL-RS), também reagiram à operação contra Jaques Wagner. Segundo ele, o Congresso precisa acompanhar “muito de perto” as apurações sobre o caso.
R7






