O receio da “permanência” online
De acordo com a Ofcom, um dos grandes motores desse silêncio digital é a preocupação com o impacto de posts históricos nas perspectivas profissionais e na vida pessoal. Joseph Oxlade, gerente sênior de pesquisa do órgão, explica que os usuários estão cada vez mais conscientes de que o que é publicado online permanece lá de forma permanente.
A fatia de adultos preocupados com problemas futuros causados por seus próprios posts subiu de 43% em 2024 para 49% no último ano. Esse clima de cautela é alimentado por casos reais de figuras públicas cujas trajetórias foram abaladas por publicações antigas descobertas anos depois.
A migração para os vídeos e conteúdos efêmeros
Além da preocupação com a reputação, a ascensão de plataformas como TikTok e o recurso Reels do Instagram alteraram a dinâmica de engajamento. Em vez de criar posts estáticos ou comentar em murais, os usuários estão migrando para o consumo passivo de vídeos.
Conforme aponta o regulador britânico, muitos usuários agora preferem utilizar ferramentas de conteúdo temporário, como o Instagram Stories, em vez de deixar registros fixos em seus perfis. Outra tendência identificada é o uso das redes para propósitos mais específicos e fechados, como a participação em grupos comunitários locais, em vez da exposição pública em larga escala.
IA em alta, mas bem-estar em queda
Enquanto a atividade social “tradicional” diminui, o interesse por inteligência artificial dispara. Mais da metade dos adultos (54%) já utiliza ferramentas como o ChatGPT, um salto considerável em relação aos 31% de 2024. O estudo indica que a tecnologia está sendo usada para fins diversos, desde planejar casamentos e layouts de salas até buscar conselhos de relacionamento.
Por outro lado, o sentimento geral sobre a vida digital está mais pessimista. Apenas 59% dos usuários agora acreditam que os benefícios de estar online superam os riscos – uma queda acentuada frente aos 72% registrados no ano anterior. Além disso, a percepção de que as redes sociais fazem bem para a saúde mental caiu de 42% para 36%, conforme os dados publicados nesta quinta-feira (02).