Pesquisas anteriores já apontaram que a companhia de pets pode ajudar a diminuir a solidão e aliviar o estresse
Quem convive com gatos pode ter um motivo a mais para considerar os animais uma companhia especial. Um estudo publicado na revista científica PLOS One encontrou uma associação entre a presença de felinos e níveis mais altos de felicidade em diferentes países.
A pesquisa analisou dados de 93 nações e comparou os índices de bem-estar da população com a quantidade de gatos, além de fatores como renda, Produto Interno Bruto (PIB), gastos com saúde e exposição ao parasita Toxoplasma gondii.
Os resultados indicaram que países com maior número de gatos em relação à população também apresentaram, em média, índices mais elevados de felicidade. A relação permaneceu mesmo quando os pesquisadores consideraram outros fatores que podem influenciar o bem-estar.
O estudo, publicado em 30 de setembro de 2026, é uma análise feita em escala nacional. Isso significa que os resultados mostram uma relação entre os dados dos países, mas não permitem concluir que ter um gato, individualmente, torna uma pessoa mais feliz.
Por que os gatos podem estar relacionados à felicidade?
Uma das explicações consideradas pelos pesquisadores é o efeito da convivência com animais de estimação sobre o bem-estar emocional. Estudos anteriores já apontaram que a companhia de pets pode ajudar a diminuir a solidão, aliviar o estresse e favorecer vínculos afetivos.
No caso dos gatos, a relação pode ser influenciada também pelas condições de vida. O estudo encontrou uma forte associação entre a presença dos animais, maior renda e indicadores econômicos mais favoráveis.
Na análise, a quantidade de gatos foi um dos fatores que mais se relacionaram com o nível de felicidade dos países. O modelo utilizado pelos pesquisadores explicou 47% da variação observada nos índices de felicidade.
Os autores também avaliaram a presença de Toxoplasma gondii, um parasita que pode infectar seres humanos. Nesse caso, a relação encontrada foi inversa: países com maior presença do marcador de infecção recente apresentaram níveis menores de felicidade.
Isso não significa, porém, que gatos estejam deixando as pessoas menos felizes por causa do parasita. Os próprios pesquisadores destacam que o estudo não permite estabelecer uma relação de causa e efeito.
Outro resultado chamou a atenção: países com maior número de gatos apresentaram, em geral, menor exposição ao Toxoplasma gondii. Uma possível explicação é que, em locais mais ricos, os animais tendem a viver dentro de casa, receber alimentação adequada e ter acesso mais frequente a cuidados veterinários.
Para os cientistas, os resultados reforçam que a felicidade de uma população não depende apenas de fatores econômicos. A relação das pessoas com os animais, as condições de saúde e outros aspectos do ambiente também podem estar associados ao bem-estar.
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