Em reação, Caracas colocou tropas em alerta e convocou civis para treinamentos militares. Maduro afirmou que “não quer uma guerra no Caribe ou na América do Sul” e acusou Trump de tentar provocar uma mudança de regime para se apoderar do petróleo venezuelano.
Nos bastidores, o governo brasileiro vê o agravamento da crise como uma ameaça ao diálogo bilateral sobre tarifas e sanções. Segundo auxiliares do Planalto, Lula pretende argumentar, em um encontro presencial com Trump, que qualquer ação militar na Venezuela desestabilizaria toda a região e fortaleceria o crime organizado.
Reaproximação após encontro na ONU
O chanceler Mauro Vieira classificou como “ótima e produtiva” a reunião que teve nesta quinta-feira com o secretário de Estado americano, Marco Rubio. Segundo ele, as conversas foram construtivas e mantiveram o “espírito de cooperação” demonstrado na ligação recente entre Lula e Trump. Ainda assim, o Itamaraty reiterou a posição contrária do Brasil a intervenções militares e defendeu uma “saída diplomática” para a crise venezuelana.
A expectativa do governo brasileiro é de que Lula e Trump se encontrem até o fim do ano para tentar avançar na normalização das relações comerciais. Há a possibilidade de que a reunião ocorra na Malásia, durante o encontro da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), nos dias 26 e 27 de outubro, ou na Cúpula das Américas, em dezembro, na República Dominicana.
A reaproximação entre os dois países aconteceu após aceno de Trump a Lula durante a Assembleia-Geral da ONU, em Nova York, no final de setembro. Em seu discurso, o presidente americano revelou que conversou brevemente com o brasileiro e que havia sentido uma “química entre os dois”, além de elogiar o petista. Depois disso, Lula amenizou o tom contra os Estados Unidos e chegou a falar, em tom descontraído, que havia pintado “uma indústria petroquímica”.
Enquanto as tratativas prosseguem, a Venezuela se consolida como um novo ponto de atrito entre os dois presidentes — um tema que ameaça colocar à prova a reaproximação diplomática entre Brasília e Washington.
JovemPan