A Arábia Saudita acusou os Houthis de lançar um drone contra Meca e afirmou que suas defesas aéreas destruíram o equipamento antes que ele alcançasse o espaço aéreo restrito da cidade sagrada para o Islã. O grupo iemenita negou a ofensiva e, nesta quarta-feira (16), afirmou ter abatido um caça saudita.
Segundo as Forças Armadas sauditas, o drone foi interceptado ao sul de Meca. Em comunicado, a coalizão liderada por Riade afirmou ter destruído “um drone hostil lançado pela milícia terrorista houthi antes que ele entrasse no espaço aéreo restrito da capital sagrada do Islã”.
O governo saudita afirmou ainda que “a segurança das duas mesquitas sagradas e de seus visitantes” representa uma linha que não pode ser ultrapassada. Os Houthis, porém, negam ter lançado qualquer ataque contra Meca. Hazm al-Assad, um dos dirigentes do grupo, classificou a acusação saudita como “uma mentira cansativa” em publicação nas redes sociais.
Separadamente, os houthis anunciaram nesta quarta-feira que derrubaram um avião de guerra da Arábia Saudita. As informações apresentadas até o momento não permitem estabelecer as circunstâncias da alegada derrubada.
Alerta sobre Meca
A acusação ocorre em meio à intensificação dos confrontos entre a Arábia Saudita e os houthis desde o início de setembro.
Na terça-feira (15), autoridades sauditas emitiram pela primeira vez um alerta relacionado a viagens aéreas para Meca, cidade que recebe milhões de peregrinos muçulmanos. Já na madrugada desta quarta, a Embaixada dos Estados Unidos recomendou que cidadãos americanos reconsiderassem viagens à Arábia Saudita e evitassem a região da fronteira com o Iêmen.
A Organização para a Cooperação Islâmica (OCI) também reagiu à acusação de Riade e condenou os “ataques atrozes” que, segundo a entidade, “profanam a santidade de locais sagrados e mesquitas e ferem os sentimentos dos muçulmanos em todo o mundo”.
Escalada no Mar Vermelho
Os Houthis são um movimento político e armado iemenita ligado ao islamismo xiita e apoiado pelo Irã. Na semana passada, o grupo tomou o controle da costa iemenita do Mar Vermelho, incluindo o estratégico Estreito de Bab el-Mandeb, segundo as informações divulgadas.
A passagem conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e constitui uma das principais rotas marítimas internacionais. A crise na região contribuiu para a alta dos preços do petróleo, em meio às preocupações com o transporte de cargas e energia pela rota.
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