Evento global sobre mudanças climáticas, que acontecerá em Belém, é visto por representantes do setor como risco à soberania econômica e agrícola do Brasil
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A Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30), marcada para acontecer em novembro deste ano em Belém do Pará, já vem gerando intensos debates — principalmente dentro do setor agropecuário. Durante uma edição especial do podcast Apro360, promovido pela Aprosoja Mato Grosso, lideranças políticas e especialistas externaram preocupações com os rumos do evento e os possíveis impactos sobre o agronegócio brasileiro.
Um dos destaques do debate foi o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que criticou fortemente o evento. Segundo ele, os recursos destinados à realização da COP 30 são desproporcionais, principalmente diante das carências básicas da cidade-sede.
“A COP 30 se propõe a discutir meio ambiente, mas, paradoxalmente, está provocando desmatamento na Amazônia para abrir uma rodovia até o local do evento. Belém tem baixos índices de desenvolvimento humano e saneamento. Investir R$ 2 bilhões em um evento assim, enquanto brasileiros morrem em filas de hospitais, é inaceitável”, declarou o parlamentar.
Ferreira também questionou a falta de transparência sobre as pautas que serão discutidas na conferência. Para ele, os recursos poderiam ser mais bem utilizados em áreas como saúde, segurança pública e apoio ao agronegócio, setor que considera essencial para a economia e segurança alimentar do país.
A crítica ganhou eco no jornalista e ex-ministro Aldo Rebelo, outro convidado do episódio. Para Rebelo, a COP 30 pode ser usada como instrumento de pressão econômica contra o Brasil, especialmente no que diz respeito à agricultura.
“Há uma tentativa de transformar uma pauta ambiental legítima em arma de guerra comercial. Estão usando o meio ambiente como pretexto para enfraquecer a produção brasileira no mercado global”, alertou.
Rebelo defendeu que o Brasil mantenha uma postura soberana e estratégica durante a COP 30, reforçando que sustentabilidade e desenvolvimento não são excludentes. Ele lamentou que, na prática, o país esteja sendo empurrado para uma posição em que se exige a preservação ambiental à custa do crescimento econômico.
“O Brasil precisa mostrar que é possível produzir e preservar. Mas, infelizmente, esse direito ao desenvolvimento sustentável tem sido constantemente ameaçado por interesses externos disfarçados de boas intenções”, afirmou.
A edição especial do Apro360, realizada durante uma feira agropecuária Norte Show, em Sinop, a 503 km de Cuiabá, teve como objetivo ampliar o diálogo com os produtores rurais e colocar luz sobre os riscos e oportunidades do agronegócio frente às discussões globais sobre o clima.
A Aprosoja Mato Grosso, organizadora do evento, reforçou seu compromisso em defender os interesses do produtor rural brasileiro, buscando participação ativa nas discussões internacionais e alertando para possíveis consequências que possam comprometer o crescimento do setor — responsável por mais de 25% do PIB nacional.
Com informações da assessoria da Aprosoja-MT
