
Diretor-geral Tedros Adhanom Ghebreyesus classifica avanço da doença como “alarmante” e convoca comitê de emergência para definir medidas
O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que a “magnitude e rapidez” do surto de ebola na República Democrática do Congo são alarmantes, diante de mais de 500 casos suspeitos e 130 mortes possivelmente associadas ao vírus. O anúncio foi feito durante a Assembleia Mundial da Saúde, em Genebra, onde o chefe da entidade também confirmou a convocação do Comitê de Emergência para avaliar a situação e recomendar ações de contenção.
O comitê, formado por especialistas internacionais, se reuniu ao longo do dia para discutir estratégias diante do avanço da doença. A convocação ocorre após a OMS ter declarado, no último domingo (17), uma emergência de saúde pública de importância internacional sem consulta prévia ao grupo, medida viabilizada por mudanças no Regulamento Sanitário Internacional após a pandemia de Covid-19, com o objetivo de acelerar respostas globais.
Tedros alertou que os números atuais ainda podem crescer com a ampliação da vigilância sanitária, do rastreamento de contatos e da testagem laboratorial. Os casos estão concentrados principalmente em áreas urbanas, como Bunia, capital da província de Ituri, no nordeste do Congo, além de registros em Kampala, capital de Uganda, onde foram confirmados dois casos, incluindo uma morte ligada ao surto.
A OMS também destacou a ocorrência de infecções entre profissionais de saúde, indicando transmissão dentro de unidades médicas. Segundo Tedros, a disseminação do vírus é agravada pela alta mobilidade na região, impulsionada tanto pelo conflito armado quanto pela atividade mineradora, fatores que aumentam o deslocamento populacional e, consequentemente, o risco de propagação.
A província de Ituri enfrenta agravamento da violência desde o fim de 2025, com intensificação dos combates nos últimos meses e mais de 100 mil pessoas deslocadas. A OMS mantém equipes no local para apoiar as autoridades nacionais com insumos e equipamentos. O atual surto é causado pelo vírus Bundibugyo, uma variante do ebola para a qual ainda não há vacinas nem tratamentos disponíveis.