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Safra de etanol 2024/2025 em Mato Grosso bate recorde e consolida o Estado como potência nacional no setor

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Verticalização da produção tem sido uma das chaves para o desenvolvimento local. Novos empreendimentos entrarão em operação ainda este ano, enquanto outras duas unidades estão em construção para entrarem em atividade em 2026.

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Cuiabá (MT) — O presidente do Sistema Fiemt, Silvio Rangel, apresentou nesta segunda-feira, 05/05, o balanço da safra de etanol 2024/2025 em Mato Grosso, trazendo números que confirmam a força crescente do Estado no cenário nacional de biocombustíveis. Com uma produção recorde de 6,7 bilhões de litros de etanol, a unidade federativa registrou um crescimento superior a 17% em relação à safra anterior, consolidando-se como segundo maior produtor do país e líder absoluto na produção de etanol de milho.

“Esse resultado é extremamente expressivo para Mato Grosso, especialmente quando comparado ao desempenho do segundo colocado, com crescimento de 8,6%, e ao de São Paulo, que teve uma queda de 1,79%”, destacou Rangel. O avanço, segundo ele, é reflexo direto da expansão agrícola e da verticalização industrial no Estado, que transforma o milho em biocombustível, agregando valor à produção local.

Perspectivas e investimentos para o futuro

Para a próxima safra (2025/2026), a expectativa é de mais um salto produtivo: a projeção é atingir 7 bilhões de litros, o que representaria um crescimento de 6,53%. Dois novos empreendimentos entrarão em operação ainda este ano, enquanto outras duas unidades estão em construção para entrarem em atividade em 2026.

“Se mantivermos esse ritmo, é possível que Mato Grosso se torne o maior produtor de etanol do Brasil nos próximos dez anos”, afirmou Rangel. A estimativa é reforçada pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (IMEA), que monitora mensalmente os dados das usinas desde 2015. O trabalho, feito em parceria com o sindicato BioInd, forma a base para projeções e políticas públicas.

Logística, impostos e o desafio da infraestrutura

Apesar dos resultados animadores, os desafios persistem. A logística é apontada como um dos principais gargalos. Com a crescente produção, é urgente facilitar o escoamento do etanol tanto para outros estados quanto para o exterior. Para isso, está em andamento o projeto de construção de um etanolduto ligando Cuiabá a Uberlândia (MG), com cerca de mil quilômetros de extensão, interligando Mato Grosso à malha existente que já conecta Minas Gerais ao Porto de Santos (SP).

“Esse projeto é essencial para garantir competitividade e atratividade econômica, já que passamos a ter volume suficiente para justificar esse tipo de infraestrutura”, pontuou Sílvio. A obra está sendo estruturada em parceria com o Governo Estadual, que deve buscar apoio federal ou de investidores privados.

Sustentabilidade, emprego e coprodutos

Outro pilar desse avanço é a diversificação da matriz energética. A produção de etanol de milho impulsiona também o uso de biomassa florestal, cuja oferta precisa crescer para acompanhar a demanda das usinas. O setor florestal tem sido estimulado a investir em áreas de reflorestamento para suprir esse insumo.

Além do combustível, a industrialização do milho gera coprodutos valiosos, como o DDG (farelo rico em proteína usado na alimentação animal) e o óleo de milho, que têm impulsionado a pecuária intensiva no Estado. “Estamos transformando a base agrícola em agroindústria de alta produtividade, gerando empregos e ampliando a renda local”, destacou Giuseppe Lobo, diretor do Sindicato das Indústrias de Bioenergia de Mato Grosso.

Atualmente, o setor emprega mais de 10 mil trabalhadores diretos e cerca de 30 mil indiretos, contribuindo com cerca de 20% dos investimentos públicos estaduais, por meio da arrecadação de impostos.

Rumo à autossuficiência e descarbonização

O setor também acompanha com expectativa o possível aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina, dos atuais 27% para 30%. Se aprovado, o Brasil poderá ampliar em até 2 bilhões de litros o consumo interno de etanol, reduzindo a necessidade de importação de gasolina e fortalecendo a balança comercial.

Além disso, Mato Grosso já se prepara para ingressar na produção de SAF (Combustível Sustentável de Aviação), com indústrias como a FS aptas a iniciar a fabricação assim que o marco regulatório for definido.

“Estamos diante de uma oportunidade histórica de transformar o etanol em um vetor de desenvolvimento sustentável, agregando valor, gerando empregos e posicionando Mato Grosso como referência global em bioenergia”, concluiu o presidente da Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt) Silvio Rangel.

Por Jota Passarinho

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